8 de jan de 2009

Sobre a reforma

No início de 2009 entrou em vigor, no Brasil, a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa. A intenção é boa: simplificar a grafia e unificar as regras. No entanto, é preciso lembrar que a acentuação não tem uma mera função estética: em muitos casos, a acentuação explica a pronúncia.

Imagine uma pessoa que está aprendendo o idioma -- seja uma criança, um adulto ou um estrangeiro. Como explicar que linguiça tem pronúncia diferente de enguiça? Como explicar que ideia não tem som similar a odeia? Como explicar a pronúncia de quinquênio a um atleta do Quênia que venha disputar a São Silvestre? São mudanças que contrariam o bom senso.

A Reforma acertou ao unificar a regra do hífen e simplificou ao retirar acentos em palavras como voo e pelo, mas não conseguiu atingir seu objetivo de unificar o idioma. Por exemplo, ainda ficaram regras diferenciadas, como o acento de gênio (génio em Portugal). O Prof. Pasquale definiu bem a Reforma Ortográfica: "é uma reforma meia-sola, que não unifica a escrita de fato (...) vamos enterrar dinheiro em uma mudança que não trará efeitos positivos". Concordo com o professor em gênero, número e grau.

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