27 de mar de 2008

O discurso de John Galt

Por doze anos você tem perguntado "Quem é John Galt?". Aqui é John Galt falando. Eu sou o homem que levou embora suas vítimas e assim destruiu o seu mundo. Você ouviu dizer que esta é uma era de crise moral e que os pecados do Homem estão destruindo o mundo. Mas sua principal virtude tem sido o sacrifício, e você pede mais sacrifícios a cada novo desastre. Você sacrificou a justiça em nome da misericórdia, felicidade em nome do dever. Então, porque você tem medo do mundo ao seu redor?

Seu mundo é somente o produto dos seus sacrifícios. Enquanto você estava arrastando para os altares do sacrifício os homens que tornaram possível sua felicidade, eu o venci. Eu cheguei primeiro e contei para eles o jogo que você estava jogando e onde isso iria os levar. Eu expliquei as consequências da sua moralidade de 'amor entre irmãos', que eles tinham sido inocentemente generosos demais para entender. Você não irá encontrá-los agora, quando você precisa deles mais do que nunca.

Nós estamos em greve contra seu credo de recompensas não merecidas e deveres não recompensados. Se você quer saber como eu os fiz desistir, eu contei a eles exatamente o que estou dizendo a você esta noite. Eu ensinei para eles a moralidade da Razão - que era certo buscar a própria felicidade como principal sentido da vida. Eu não considero o prazer de outros como o sentido da minha vida, nem considero que meu prazer deva ser o sentido da vida de outra pessoa.

Eu sou um comerciante. Eu obtenho tudo o que tenho em troca das coisas que eu produzo. Eu não peço nada mais nem nada menos do que eu fiz por merecer. Isto é justiça. A força é um grande mal que não tem lugar num mundo racional. Não se pode jamais forçar um ser humano a agir contra seu próprio julgamento. Se você nega a um homem o direito de raciocinar, você deve negar seu próprio direito ao seu próprio julgamento. No entanto você permitiu que seu mundo seja governado por meio da força, por homens que alegam que medo e alegria são incentivos similares, mas medo e força são mais práticos.

Você permitiu que tais homens ocupassem posições de poder no seu mundo pregando que todos os homens são maus desde o nascimento. Quando homens acreditam nisso, eles não vêem nada errado em agir como quiserem. O nome desse absurdo é 'pecado original'. Isso é impossível: o que está fora da possibilidade de escolha está também fora do alcance da moralidade. Chamar de pecado algo que independe da escolha do homem é fazer piada da justiça. Dizer que os homens nascem com livre arbítrio mas com uma tendência à maldade é ridículo. Se a tendência é uma escolha, não veio ao nascer. Se a tendência não é uma escolha, então o homem não tem livre-arbítrio.

E então surge a sua moralidade de 'amor entre irmãos'. Porque é moral servir aos outros, mas não a você mesmo? Se a felicidade é um valor, porque é moral quando sentida pelos outros, mas não por você? Porque é imoral produzir uma coisa de valor e guardar para si mesmo, quando é moral para os outros, que não a produziram, aceitá-la? Se há virtude em dar, não é então egoísmo receber?

Sua aceitação do código do altruísmo faz você temer o homem que tem um dólar a menos que você porque isso faz você sentir que esse dólar é, por direito, dele. Você odeia o homem com um dólar a mais que você porque o dólar que ele está guardando é seu por direito. Seu código tornou impossível saber quando é hora de dar e quando é hora de tomar.

Você sabe que não pode dar tudo o que tem e morrer de fome. Você se forçou a viver com uma culpa irracional e não merecida. É apropriado ajudar outro homem? Não, se ele cobra isso como se fosse um direito dele ou como algo que você deve a ele. Sim, se é a sua própria escolha, baseada no seu julgamento do valor daquela pessoa e suas dificuldades. Este país não foi construído por homens que buscavam coisas grátis. Na sua brilhante juventude, este país mostrou ao resto do mundo que a grandeza era possível ao Homem e que felicidade era possível na Terra.

Então o país começou a se desculpar por sua grandeza e começou a dar sua riqueza, sentindo-se culpado por ter produzido mais que seus vizinhos. Há 12 anos atrás eu percebi o que estava errado no mundo e onde a batalha pela Vida tinha que ser lutada. Eu vi que o inimigo era uma moralidade invertida e que minha aceitação desta moralidade era seu único poder. Eu fui o primeiro dos homens que se recusaram a desistir de buscar sua própria felicidade porque eu não queria apenas servir aos outros.

Para aqueles de vocês que ainda guardam um resquício de dignidade e a vontade de viver suas vidas por vocês mesmos, ainda há chance de fazer a mesma escolha. Examine seus valores e entenda que você deve escolher um lado. Qualquer meio-termo entre o bem e o mal somente serve para ferir os bons e ajudar os maus.

Se você entendeu o que eu disse, pare de apoiar seus destruidores. Não aceite a filosofia deles. Seus destruidores seguram você por causa de sua resistência, sua generosidade, sua inocência e seu amor. Não destrua a si mesmo para ajudar a construir o tipo de mundo que você vê ao seu redor. Em nome do melhor que há em você, não sacrifique o mundo por aqueles que irão tomar sua felicidade por causa dele.

O mundo irá mudar quando você estiver pronto para pronunciar este juramento:
Eu juro pela minha Vida e pelo meu amor por ela que nunca irei viver em função de outro homem, nem vou pedir a outro homem que viva em função de mim.

3 comentários:

Anônimo disse...

Minha versão do juramento:

Eu prometo, pela minha vida e pelo meu amor à ela,
que não serei uma peso para ninguém,
nem permitirei que ninguém seja um peso para mim.

Washington Urano Mata disse...

Excelente. Veja que assumindo este discurso, acabam-se as roubalheiras, mentiras, saques. O Homem passa a ser o Homem Pleno, de progresso e de realização de seu potencial. Com grande auto estima e discernimento. Passa a buscar o trabalho, a integridade sua e da comunidade e elimina o vampirismo. O crescimento da Civilização será enorme e o ganho com paz e qualidade de vida muito significativo. No entanto, Ayn Rand é muito atacada por acreditar-se atéia. No livro "A Revolta de Atlas", vemos claramente esta filosofia, o "Objetivismo". O engraçado é que quanto mais a autora se afasta e nega a Divindade mais ela faz o trabalho que a Divindade deseja para o Homem, que é o crescimento pleno. Seguindo esta filosofia, o Homem cresce e se realiza, que é exatamente o verdadeiro e real desejo de todo PAI verdadeiro. Sem ficar se perdendo em louvores melosos e falsos a quem já é todo poderoso e não precisa e nunca pediu puxação de saco. ((((o princípio da Sabedoria é o TEMOR... aaaaiiiiiiiiii... – quer dizer que a base da vida é o TEMOR, o MEDO????? – isto valeu antes da vinda do Mestre. Depois dele TUDO mudou e pouco leram de verdade a Mensagem – o princípio e o fim de tudo é o AMOR!!!!!!))). Houve uma ordem direta da Divindade que foi “Dai a César o que é de César”. Esta ordem direta nunca foi obedecida. O Objetivismo visa dar ao Homem o que é do Homem. É pura obediência. Quanto mais longe, mais perto. Quem não gosta do Objetivismo - e fala mal de Ayn Rand sem parar - são dois tipos de pessoas: 1- aquelas que não querem ser pessoas plenas e querem ser controladas pelos outros porque vivem num mundo interior de medo; e 2- os intermediários que lucram com a intermediação entre as pessoas e a Divindade e usam e abusam do terrorismo psicológico para encher suas denominações e o bolso: ganham dinheiro sem limites, que que é o verdadeiro senhor destes intermediários. A autora e filósofa Ayn Rand e seus principais livros “A Fonte” e “A Revolta de Atlas” (editora Sextante, 3 volumes) tem uma legião de fãs e são muito discutidos até hoje. Muito oportuna esta reprodução do discurso de John Gault. É a filosofia dos vencedores. Parabéns.

Yuri Alexandre Inêz disse...

O egoísmo e o orgulho são os sentimentos à serem superados pelo homem cristão.
Por outro lado, o que a Sra Rand debate com relação aos governos é muito interessante...