23 de set de 2005

Cidadão ou súdito?



O jornalista Alexandre Garcia, da sucursal da Rede Globo em Brasília, assina um artigo publicado em vários jornais do Brasil alertando seus leitores sobre o risco de se desarmar o cidadão. Entre outros argumentos, Alexandre Garcia cita as armas entregues na Campanha do Desarmamento que foram parar nas mãos de bandidos, diz que não vê vantagem em desarmar pessoas de bem e defende textualmente: “não vejo por que impedir o cidadão de exercer o elementar direito da legítima defesa”. Leia o artigo na íntegra.

Concordo com ele. Percebo que muita gente está com uma idéia errada sobre esse referendo. O povo será chamado a se manifestar quanto ao art. 35 da lei que diz: “É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei”.

Como este artigo causará um impacto muito grande, a população dirá se concorda ou não com ele. Caso a população, em maioria simples, referende esse artigo, isto significará, em última instância, um desarmamento total do cidadão comum. Mas isso não irá reduzir a violência nem a criminalidade, por vários motivos:

  1. Bandido não compra arma em loja, ele compra no mercado negro (contrabando, troca por drogas, desvio/roubo das forças armadas, etc). As armas legalizadas são em pouca quantidade e de baixa potência, se comparadas com as armas do crime organizado.
  2. Sabendo que não haverá reação, o bandido fica mais ousado. Nos países onde houve o desarmamento do cidadão comum, a criminalidade aumentou. Aqui mesmo, no Brasil, crimes de assaltos a ônibus, residências, etc subiram com o desarmamento.
  3. Quando um cidadão comum quer matar alguém, ele mata com ou sem arma de fogo. Todos os dias lemos nos jornais sobre crimes familiares cometidos com facas, pedras e mesmo com as próprias mãos. Não são as armas que matam, são as pessoas. A arma é apenas uma maneira de atirar um projétil em alta velocidade.
  4. A lei da oferta e da procura é irrevogável. Se não houver armas no mercado legal (que estaria sob controle do Estado), quem precisar vai recorrer ao mercado negro. Isso é óbvio: basta ver que proibir drogas como maconha e cocaína não as eliminou da sociedade. Nos início do século passado, quando se tentou fazer uma Lei Seca nos EUA, ela foi um fracasso: tudo o que aconteceu foi um aumento no consumo e no contrabando de bebidas.
  5. As armas não podem ser desinventadas. A tecnologia para sua construção está disponível desde o século XVII, e qualquer oficina de fundo de quintal que tenha uma dobradeira de chapa, uma máquina de solda elétrica e um torno está apta a produzir submetralhadoras.
Enfim, proibir o comércio de armas e munições não vai reduzir a criminalidade, é uma ingenuidade pensar o contrário. Por isso eu voto NÃO.

3 comentários:

Thiago Hettwer disse...

Excelente artigo! Vai totalmente de acordo com o que eu venho dizendo há meses. Aliás... é um assunto que eu tanto já comentei que ando até cansado.

Pablo Rodrigo disse...

Perfeita análise Alex!

O que eu vejo é que o estado tenta de todas as formas condicionar uma sociedade livre, engana dizendo que isso vai reduzir a violência quando na verdade provocará um caos social gisgantesco.

O nosso país possui um estado gordo e imcompetente e agora querem que o mesmo que mal consegue prender ladrões de galinha que persegue vectras cheios de ladrões de bancos com golzinhos 1.0, que te deixa numa situação emergencial de dois a três minutos aguardando atendimento no 190 que garanta as seguranças de nossas vidas? Ora ladrão não compra arma em loja e sim pelo câmbio negro.

Adoraria saber o porque esses movimentos ditos pacifistas não fazem vigilhas e pressão política contra os tráficos de drogas e de armas e por que este governo gerenciado pelo PT não coloca a eficiente Polícia Federal para coibir a entrada de armamentos ilegais no país ao invés de gastar o suado dinheiro do contribuinte Brasileiro com um pebiscito estapafúrdio desses.


Um Abraço e eu votarei NÃO!

Blog Giancarlo Hogan disse...

Certo, texto perfeito.
Isso seria um semi-crime com o cidadão, desarma-lo...
Uma das suas defesas, concordo no ponto que tu compara o poderio de armas domésticas com as de Bandidos.